ENTRE NÓS, 2019.

Entre nós é uma série que mostra um pouco da minha história. Sou de uma família que é muito ligada ao mar. Família de mergulhadores, meu pai é instrutor de mergulho e meu avô sempre teve barco. Fui inserida nesse contexto náutico desde pequena. Há um tempo atrás fiz um curso de vela oceânica para aprender a velejar. Um dos requisitos do curso, era aprender a fazer nós de marinheiro. Eu achava muito difícil executar os nós, mas ao executar os nós me deparei com algo muito significativo esteticamente. Vi naquele momento que existia arte ali.

Propositalmente, as peças da série não têm nenhum nó de marinheiro. Fui dando os nós de forma fluida e orgânica sem nenhuma preocupação com a exatidão do nó. 

O saco plástico de concreto faz uma referência negativa nas condições atuais dos mares e oceanos.

 
 

Em seu novo trabalho, "MACIÇAS", Marina Ryfer apresenta uma instalação composta por um conjunto de três elementos permeados pela presença - fisica e virtual da luminosidade como corpo.

Assim como em trabalhos anteriores, a artista oferece a contemplação de um outro tipo de fisicalidade, etérea porém presente, e que se potencializa no diálogo com outros materiais construtivos das suas composições.

Há evidencias de um tempo de escoamento da luz, da sua condução na matéria e de uma reverberação que transborda o campo intelectual. Em uma instalação onde cada elemento exige uma limpidez de espaços para sua fala, o acúmulo de atitudes plásticas impetradas por Marina ecoam a sua própria voz.

                                                                        Diana Lobo

MACIÇAS, 2019.

Espaço em si, 2019.

Casa França Brasil

Na exposição para Casa França Brasil os trabalhos foram selecionados por sua relação com a espacialidade. O significado de espaço estende-se à imensidade, a territórios, ao universo, ou pelo simples fato de ser definido pela distância percorrida por um ponto em movimento ou pelo intervalo de tempo entre um momento e outro. A dimensão psíquica e artística apresenta a dualidade desta extensão que tanto pode ser infinita ou limitada entre dois corpos. Representar o espaço com múltiplas linguagens e confirmar suas diversas manifestações. Falamos também de superfícies, de duração, de área, de atmosfera, de acomodação, de dimensão de matérias, do espaço em si.

 

Projeto 20 20

Galeria Carambola

Oito mulheres compõem o projeto 2020 e exploram as artes visuais desenvolvendo linguagens próprias. o grupo se formou durante o curso ministrado por Iole de Freitas na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. O 2020 nasce de um fazer espontâneo e, consequentemente, da urgência de uma escuta e de uma fala artística; no sentido de ressoar e acolher múltiplas gerações do pensamento contemporâneo. Passamos a nos reunir fora da EAV seguindo o processo de análise das obras.

Além dos trabalhos individuais, o 2020 apresenta uma ocupação na piscina da galeria com obras escadas, onde cada artista os desdobramentos do objeto como ponto de conexão, de passagem entre patamares, estados ou locais simbólicos em um contexto de constante transformação em um ambiente que clama por mudança. A escada como ponto de travessia propõe da transição de estado uma reflexão sobre diferentes ambientes e principalmente pontos de vistas.

 

Série Marco Zero, 2020.

Marco Zero trata de um retorno.

Uma composição de paisagens que se mesclam entre si, com contornos claros e contundentes como no espaço imaginativo do qual fazem parte. Não se trata de registro fotográfico, tão pouco do convite sensual dos mares e seus azuis. Há a criação de um ambiente inédito, fictício, ainda que composto de traços tão reconhecíveis.

Marina explora as dimensões, deslocando momentos em um eixo de tempo-espaço. As marés relembram os ciclos e seus eternos recomeços. A cena e sua declaração de incertezas, no entanto, é firme. O trabalho se afirma tanto no concretismo da sua linguagem quanto no campo aberto que produz para interpretações.

O rearranjar da realidade, recortada, editada e deslocada no tempo, celebra o resgate de uma memória afetiva, enquanto à coroa com o frescor do advir. Os vidros refletem passados e futuros que se sobrepõem deliberadamente. O encontro desses diferentes momentos, no entanto, é tão efêmero quanto o tempo em si.  Marina retorna a sua origem e leva consigo a pausa de toda a Terra.  Enquanto propõe uma edição de realidades se utilizando do que já foi transcorrido, delega à cada observador a sua própria poética na reflexão de outros amanhãs.

                                                                  Diana Lobo

 
 
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SOBRE

Marina Ryfer (1983, Rio de Janeiro) é arquiteta e uma artista visual que explora a luz como presença escultórica. Em seus trabalhos, se apropria da luz como matéria e a utiliza como parte de sua linguagem. Costuma usar materiais comuns como cordas, lâmpadas, componentes elétricos, madeiras, espelhos e cimento para criar peças que dialogam com o ambiente. Sua prática mescla a fisicalidade da luminosidade com os efeitos sutis que a iluminação pode provocar nos espectadores.

É formada em administração de empresas pela PUC-Rio e em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Santa Úrsula. Fez mestrado em engenharia civil na UFF e em 2014-2015 ministrou aulas de instalações elétricas prediais no curso de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Santa Úrsula. Em 2015 abriu o escritório de Arquitetura - Maru Arquitetura - e atualmente divide seu tempo entre a arquitetura, aulas na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e o estudo e desenvolvimento em arte contemporânea.

 

CONTATO

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